quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

MINHA MISS BABY

Engraçado como sabia que o celular tava tocando.
Sabia que sempre penso em você? Me manda notícias. O que você tem feito? Tem escrito novas músicas? De que cor está seu cabelo? Como está no novo emprego? Engraçado, não imagino você num escritório. Só consigo te imaginar cantando ou falando ou bebendo com os amigos.
Espero que você encontre um homem que cuide de você. Mas, não esquece: Sou seu anjo. Mesmo que nenhum escroto cuide de você, eu cuidarei.
Me liga do trabalho de vez em quando. Eles vão entender, não dá pra ficar o dia inteiro em uma sala fechada e não ligar pro seu amor.
Sinto falta de conversarmos. Na verdade, sinto falta de te ouvir falar. Até quando você fala e eu não concordo, até quando você fala e eu me perco na conversa, até quando você fala e eu não entendo nada.
Você tem ido à praia? Você me lembra o mar e nem sei por quê. Vou parar um minutinho pra olhar o mar e volto com o texto.
Voltei.
O mar me lembra um monte de coisas e lembra você também. Não sei porque, mas, lembra.
Tem feito shows? Tem chorado? Tem sentido minha falta?
Você me ligou hoje e gritei de alegria ao telefone. O motivo? Você vai estar comigo.
Você disse que precisa estar. Que precisa estar perto de quem ama. Sabe o quanto amei ouvir isso?
Sua mãe tem feito shows? Ela continua linda. Linda do jeito dela. Engraçado que ela é linda do seu jeito, Miss baby; E não o inverso.
Antes de escrever tava fumando um cigarro e ouvindo música. Não foi a música que me lembrou você, e sim o cigarro. A viagem disso tudo é que você nem fuma.
Você tem sorrido bastante?
Adquiri o hábito de pedir desculpas somente abrindo os braços em sinal de rendição, do mesmo jeitinho que você faz. Chamo esse jeito de "à la Miss baby".
Você tem almoçado direitinho?
Larga tudo e vem logo, Miss baby.
Temos algo em comum: Vivemos como se o mundo ou nós fossemos acabar a qualquer instante. E nem é medo do fim. É medo do começo mesmo.
Hoje vou te abraçar e vai sentir minha saudade. Vamos beber e rir juntos, e no final você irá embora e te deixarei com um pouco de tristeza.
Vou te beijar no rosto e te chamar de MINHA Miss baby.
Minha.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

QUANDO A MORTE DEMORA A CHEGAR ou MULHER GASTA

Observo uma senhora no ônibus. Gasta, muito gasta, é como melhor posso definí-la. Isso se percebe no seu olhar, na maneira desajeitada que se posiciona na cadeira, na forma desesperada que segura sua bolsa. Ela veste calça social preta, sapato social preto e meias brancas. Meias brancas. Por que brancas? As pretas devem estar gastas e ela está muito cansada pra sair e comprar novas meias.
Ela respira com esforço, como se o ar ao seu redor fosse gasto, ou o seu pulmão, ou a sua vontade de respirar já estivesse se desgastado.
Ela ajeita sobre seu nariz um óculos tão gasto, quanto os esmaltes que cobrem suas unhas cavadas, de cutículas gastas pela ação dos alicates amolados e pelo tempo.
Todo o quadro muda o foco, quando outra mulher entra no transporte, o quadro não muda para mim. O foco mudou para a mulher gasta – tem como chamá-la de outra forma? – pois, naquele momento ela não mais olhava em outra direção que não fosse da jovem mulher.
A jovem mulher e seu ‘bom dia’ que a mulher gasta já não pode dar. A jovem mulher e seu jeito delicado de sentar na cadeira, que a mulher gasta já não tem. A jovem mulher e seu charme ao ajeitar o cabelo, que a mulher gasta já não sabe ter. A jovem mulher e a tranqüilidade com que fecha o cinto de segurança, que já não cabe mais na mulher gasta. A jovem mulher e seu perfume, que a mulher gasta gostaria de saber a marca. A jovem mulher e a suavidade com que pega no sono, que a mulher gasta já não tem há anos.
A mulher gasta gostaria de destruir a jovem mulher. Não por ódio, mas, por compaixão. A mulher gasta não quer que a jovem mulher se desgaste.

Não quer que ela morra ainda em vida.