sábado, 20 de setembro de 2008

SURGE UMA NOVA MODALIDADE DE IMBECIL

Adoro cinema. E, foi nesse local que considero mágico, que eu tive o desprazer de ver nascer uma nova modalidade de imbecil. Entramos na sala e as luzes apagaram. Mal o filme começou e percebi um ponto vermelho parado na tela. Imediatamente pensei: Tem algo de errado com a projeção. Não imaginam minha surpresa quando o ponto começou a se movimentar na tela. Nesse momento, eu e outras pessoas na sala percebemos o que estava acontecendo; Naquela sala nascia uma nova modalidade de imbecil, que eu resolvi batizar de Apontador lazer no cinema. Essa aberração nasceu a lazer, totalmente em consonância com os ventos da modernidade: uma besta high tech. Enquanto o filme prosseguia, alguns dos presentes foram perdendo a paciência e passaram a reclamar, xingar e procurar o imbecil em questão; Mas, durante minha vida constatei que idiotas desse tipo, parecem ter uma habilidade incrível para se tornarem invisíveis. Esse não fugia à regra. Acho interessante fazermos uma reflexão: O imbecil é um brasileiro médio. O cinema em que estávamos, tem um custo que para quem não está numa faixa de renda específica, enxergará até como imoral. Essa rápida observação é para registrar que imbecilidade e falta de educação não tem relação alguma com a sua renda. Essa nova modalidade de imbecil está no mesmo nível de outras duas bestas com que eu já havia me deparado: a do que usa o Celular com caixinhas de som (e acredita que todos querem ouvir a mesma música que ele, tocando a todo volume) e a do que tem tesão em soltar bombas (fogos de artifício explosivos) que façam o maior barulho e destruição possíveis.
O primeiro nasce como uma variação, de uma tradição de imbecil já bastante difundida, que é a do idiota que coloca o som do carro nas alturas. O indíviduo que faz isso com o celular nada mais é que o primo pobre. Como não tem o carro, apesar de ser tão imbecil quanto aquele que tem, ele se dedica a comprar um celular potente e que reproduza MP3 e busca a melhor forma de maximizar o seu volume. Seja utilizando programas que aumentem o volume nativo do aparelho, seja comprando acessórios como caixinhas de som para potencializar sua imbecilidade. Eis a besta sonora.
Já o que tem tesão em soltar bombas, é daquele imbecil que como não cria nada - além do mofo em seu cérebro - decidiu se especializar em destruir. Ele é a besta apocalíptica. É emissário da destruição. Registro: Quanto maior a bomba, maior o imbecil.
Indivíduos assim deveriam ser colocados juntos em um lugar isolado, com espadas em punho; Com um contexto igual ao do filme Highlander: Deverão eliminar uns aos outros, separando a cabeça do restante do corpo; No final só poderá haver um.
O sobrevivente perderá seu “poder”, envelhecerá e morrerá.

Eis o fim perfeito.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

CARTA À JOÃO GILBERTO

Caro João,

Escrevo-lhe pra me justificar. Infelizmente não pude ir à seu show. Não foi por falta de vontade, tampouco foi por falta de consideração. Acontece que eu trabalho e não poderia dormir numa fila pra comprar o ingresso. Confesso que mesmo que pudesse não o faria. Não é nada de pessoal, mas não tenho por ninguém a quem só conheço pelo trabalho como artista, tamanha consideração. Pedi à uma pessoa amiga que comprasse os ingressos, achei uma pena terem esgotado em 40 minutos após a abertura das bilheterias. Nem passei perto de comprá-los. Não fiquei triste, gosto da bossa nova, até curto muitas das músicas que você canta, mas não sou um dos seus fãs. Sou apenas alguém que também gosta de te ouvir, até quando você desafina no final.
Todos comentavam sobre sua arrogância e grosseira. Muitos diziam: "Se cantarmos ele deixará o palco, nos abandonará". Pois é, João. A vida é engraçada.
Você não deixou o palco, apesar do microfone ruim.
Você não deixou o palco, apesar dos celulares tocando.
Você não deixou o palco, apesar das tosses constantes.
Você não deixou o palco, apesar de um despertador ter disparado.
Alguém me falou certa feita: "Geralmente os defeitos que apontamos nos outros, estamos reconhecendo. São coisas nossas e que percebemos melhor quando são feitas pelos outros."
Pois é João, te chamam de grosso. Use a poesia e responda que isso é nosso: "Isso é coisa do tempo que já se escrevia Bahia com h."

Um abraço, João

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

FÉ EM DEUS?

Passei a vida sendo questionado sobre minha fé, minha religião, meu credo, minha espiritualidade ou qualquer outra forma que usem, pra nomear o mesmo tema. Essa é daquelas questões em que minha resposta só problematiza a dúvida do outro: Não tenho religião, nunca tive. Afirmado isso surge a próxima pergunta: Se sou ateu. Prefiro cético, mas, não tenho problemas em afirmar que pratico o ateísmo passivo. Aqui, preciso fazer uma observação: A afirmação não é para polemizar, é só um fato. Até acredito que a fé, em dado grau, contribua pra uma melhora no indíviduo. Por quê? Porque o indíviduo assim o desejou. Porque dessa forma ele pode provar que sua expectativa com relação a algo, era válida. Porque ao provar que sua fé em Deus era certa, ele se valida. Até na fé somos egoístas!
Não citarei qualquer livro considerado sagrado, de qualquer religião. Nem citarei qualquer trecho, de qualquer passagem, registrada em qualquer um deles para endossar minha afirmação. Não faço o óbvio, sendo assim, não levantarei a mesma discussão que já vi registrada em vários textos em minha vida.
Até por não querer provocar uma guerra. Outra verdade: A fé enriqueçe a indústria bélica. Os caras da indústria bélica devem ter orgasmos ao ver uma ato extremista. Pensam: "My preciousss".
O que me motivou em escrever esse post foi uma matéria que li, que falava sobre o Padre Marcelo Róssi e afirmava que nenhum artista individual ou grupo nacional vende tantos discos quanto o padre "cantor".
Padre Marcelo não é cantor. No entanto, as pessoas acreditam nisso e ele existe como cantor. E, é justamente essa capacidade humana de acreditar no inacreditável que me assusta.
Começam acreditando que o Padre Marcelo é cantor, depois da sua morte o promoverão à santo; Nesse ritmo, em coisa de 2000 anos, irão chamá-lo até de Deus-Filho.