Estou no ônibus da empresa. Todas as janelas são travadas por parafusos que impedem que sejam abertas, afinal, o veículo tem sistema de ar condicionado. Só que está desligado. Quase 40 pessoas respirando o que o outro expirou, expostos a uma temperatura de mais de 30 graus. Muito germe e calor pra minha cabeça. Levanto e vou falar com o motorista pra ligar o ar condicionado, coisa que ele faz, não sem resmungar antes. Parece até que xinguei a mãe do sujeito. Dentro do ônibus todos comemoram. Iremos sobreviver.
Estou dirigindo e batem no fundo do meu carro. Entro em um táxi e o motorista está ouvindo um CD de arrocha. Ele tem um ventilador apontado para o seu rosto e tem a camisa aberta. O cara está pingando suor. Ele limpa o rosto com a mesma flanela que usa pra enxugar o volante. Peço a ele que sintonize outra rádio ou desligue peloamordeDeus. Ele desliga o som, preferiu assim. Solicito que ligue o ar condicionado, ele o faz. Não sem antes resmungar. Naquele táxi abafado e fedorento, eu sobrevivo.
Estou no cinema. Quase trezentas pessoas trocando calor, num local escuro e fechado. O ambiente lembra uma selva tropical. Se eu ouvisse o som de algum animal, não seria surpresa, ele estaria em seu hábitat, quem não estava era eu. Pessoas se abanam e bebem seus refrigerantes a fartos goles. Chamo o lanterninha e peço que o ar condicionado seja ligado. Ele sai da sala de exibição, não sem antes resmungar. Alguns instantes depois o ar condicionado se faz presente. O filme ainda não está sendo exibido, no entanto, as pessoas comemoram, se abraçam, batem palmas. Ouço até alguém dizer: "Estamos salvos!".
São por essas e outras que se eu fosse europeu, talvez não viesse ao Brasil. A maioria de nós não conhece os benefícios do sistema de ar condicionado. Alguns por que não podem ter, outros por não acreditarem. Eu odeio os que não acreditam.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
sexta-feira, 25 de julho de 2008
POR QUE ESCRITOR DE VERDADE, NÃO ESCREVE NOVELA DA GLOBO
Hoje é o dia do escritor. Parabéns a quem escreve. No entanto, não posso deixar essa data passar sem um registro: Quem escreve de verdade, não escreve novela pra Globo. Antes que alguns critiquem e outros aplaudam, eu explico o motivo: Novela é a arte do comercial.
Não consigo admirar quem tem como sonho escrever uma novela pra Globo. Pelo menos, não as escritas nos últimos 10 anos. Não assisto, não recomendo e se passar na frente de uma TV que esteja exibindo, não consigo evitar fazer o sinal da cruz.
Amo me surpreender assistindo algo novo, criativo. Portanto, não posso me permitir assistir a uma novela em que os enredos são sempre os mesmos e só mudam os atores. Sinto cheiro de coisa podre. Parece que os mortos caminham sobre a terra; Nesses momentos sempre lembro da frase de George A. Romero: "Quando não houver mais espaço no inferno, os mortos caminharão sobre a terra". Este, inclusive, é o motivo pelo qual não mando mais os autores irem pros ‘quintos dos infernos’, já que é inevitável o seu retorno.
Não agüento mais ver o pobre de novela, sempre massacrado e miserável, mas, que é feliz. Pobre de novela é o ser mais feliz do mundo. Como se viver na miséria fosse a coisa mais deliciosa que existe. Gente, o pobre no Brasil, que fica feliz o tempo inteiro está precisando é de acompanhamento psiquiátrico.
E os ricos de novela? Normalmente são péssimos. Ou, são tão bonzinhos que chega incomoda, de tão bestas que são. O rico é tirano ou imbecil. É santo ou diabo. É Odete Roitman (Vale Tudo) ou Helena (Laços de Família). Não existe aquele que ajuda o velhinho a atravessar a rua e logo depois dá uma escarrada no chão? Claro que tem.
Caros escritores, não me venham com a desculpa de que querem justamente mudar isso. As empresas pagam milhões pelos comerciais, e a maioria das pessoas está tão acostumada com os mesmos enredos, que quem se arriscar a alterar uma linha sequer, será condenado a morte por qualquer Aiatóla Global.
Por favor, não usem também a justificativa de que o que importa é o dinheiro. Há não ser que roubar, prostituir e traficar também sejam reconhecidas como profissão, inclusive regulamentadas pela CLT.
Não consigo admirar quem tem como sonho escrever uma novela pra Globo. Pelo menos, não as escritas nos últimos 10 anos. Não assisto, não recomendo e se passar na frente de uma TV que esteja exibindo, não consigo evitar fazer o sinal da cruz.
Amo me surpreender assistindo algo novo, criativo. Portanto, não posso me permitir assistir a uma novela em que os enredos são sempre os mesmos e só mudam os atores. Sinto cheiro de coisa podre. Parece que os mortos caminham sobre a terra; Nesses momentos sempre lembro da frase de George A. Romero: "Quando não houver mais espaço no inferno, os mortos caminharão sobre a terra". Este, inclusive, é o motivo pelo qual não mando mais os autores irem pros ‘quintos dos infernos’, já que é inevitável o seu retorno.
Não agüento mais ver o pobre de novela, sempre massacrado e miserável, mas, que é feliz. Pobre de novela é o ser mais feliz do mundo. Como se viver na miséria fosse a coisa mais deliciosa que existe. Gente, o pobre no Brasil, que fica feliz o tempo inteiro está precisando é de acompanhamento psiquiátrico.
E os ricos de novela? Normalmente são péssimos. Ou, são tão bonzinhos que chega incomoda, de tão bestas que são. O rico é tirano ou imbecil. É santo ou diabo. É Odete Roitman (Vale Tudo) ou Helena (Laços de Família). Não existe aquele que ajuda o velhinho a atravessar a rua e logo depois dá uma escarrada no chão? Claro que tem.
Caros escritores, não me venham com a desculpa de que querem justamente mudar isso. As empresas pagam milhões pelos comerciais, e a maioria das pessoas está tão acostumada com os mesmos enredos, que quem se arriscar a alterar uma linha sequer, será condenado a morte por qualquer Aiatóla Global.
Por favor, não usem também a justificativa de que o que importa é o dinheiro. Há não ser que roubar, prostituir e traficar também sejam reconhecidas como profissão, inclusive regulamentadas pela CLT.
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OPINIÃO
sexta-feira, 18 de julho de 2008
A MODA DO GRAMPO TELEFÔNICO
Acredito que meu telefone esteja grampeado. E agora? O que fazer?
Alô! (silêncio do outro lado da linha).
Você está ai? (o silêncio persiste).
Olha só, estou precisando fazer uma ligação particular (nada de resposta).
É pra minha esposa. Nada demais, só que eu tenho certeza de que vamos falar de sexo ou coisa parecida. Vou ficar constrangido se você estiver ai (nenhum barulho do outro lado).
Vai ser rapidinho. Você poderia ir ao banheiro ou tomar uma água, sei lá.
Soube que no Brasil temos duzentos mil grampos ativos; É muita gente escutando nossa conversa (nossa?!). Bom, eu presumo que as minhas também. Não que eu esteja fazendo algo de ilegal – sou do tipo correto – mas, saber de tantos grampos mexeu comigo.
Falo muitas besteiras ao telefone, coisas pessoais, minhas e dos outros. Morro de vergonha e tenho até evitado usar o telefone. Penso até em procurar um psiquiatra. A coisa chegou a esse ponto. Você me recomenda algum profissional? Algum?
Deve ser a centésima vez que tento falar contigo e como em todas as anteriores, você não me responde. Bom, espero que tenha um bom dia e pense a respeito de me dar um tempo.
Ouço um ruído do outro lado da linha. É o meu araponga, aquele que me escuta e grava, finalmente fala comigo: "Tô indo ao banheiro. Te dô 15 minutos".
Enfim, eu tenho um pouco de privacidade. Obrigado e até a próxima.
Alô! (silêncio do outro lado da linha).
Você está ai? (o silêncio persiste).
Olha só, estou precisando fazer uma ligação particular (nada de resposta).
É pra minha esposa. Nada demais, só que eu tenho certeza de que vamos falar de sexo ou coisa parecida. Vou ficar constrangido se você estiver ai (nenhum barulho do outro lado).
Vai ser rapidinho. Você poderia ir ao banheiro ou tomar uma água, sei lá.
Soube que no Brasil temos duzentos mil grampos ativos; É muita gente escutando nossa conversa (nossa?!). Bom, eu presumo que as minhas também. Não que eu esteja fazendo algo de ilegal – sou do tipo correto – mas, saber de tantos grampos mexeu comigo.
Falo muitas besteiras ao telefone, coisas pessoais, minhas e dos outros. Morro de vergonha e tenho até evitado usar o telefone. Penso até em procurar um psiquiatra. A coisa chegou a esse ponto. Você me recomenda algum profissional? Algum?
Deve ser a centésima vez que tento falar contigo e como em todas as anteriores, você não me responde. Bom, espero que tenha um bom dia e pense a respeito de me dar um tempo.
Ouço um ruído do outro lado da linha. É o meu araponga, aquele que me escuta e grava, finalmente fala comigo: "Tô indo ao banheiro. Te dô 15 minutos".
Enfim, eu tenho um pouco de privacidade. Obrigado e até a próxima.
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terça-feira, 15 de julho de 2008
O CARINHOSO
Lembro-me das primeiras sensações: quente, molhado, escuro e protegido. Lembro que inesperadamente, tudo mudou. Ficou frio, seco, claro e exposto. Algo estranho me tocou a cabeça. Procurei não gritar. Sentia, que de alguma forma, eu estava em segurança. Que minha mãe ainda estava lá. Saí tímido e calado. Não emiti um som sequer. Fui então pego pelos pés e erguido por aquela mão, a mesma, que me arrancou do meu lar. Senti sua outra mão batendo forte nas minhas nádegas – acabara de tomar minha primeira surra – não compreendi de imediato e apesar de agredido, procurei ser forte. Recebi uma nova palmada – mais potente que a anterior – então chorei. Depois disso fui limpo, enrolado e entregue a minha mãe. Pensei ter entendido a equação: faço birra, apanho, choro e sou afagado. Cresci acreditando nesse mantra – birra, pancada, choro e afago – Meus pais, provaram que a parte da pancada dava sempre certo, era a do afago que nem sempre acontecia. Viviam justificando: “Se não é loiro, bonito e rico, ao menos, você é forte”.
Muito desejoso, que eu era, do afago, do carinho, do amor, eu passei os anos da minha vida, empenhado em conquistá-lo. Se me faltava o afago, passei a considerar as pancadas, como uma expressão do amor dos meus pais. Decidi que deveria ser amado por todos: parentes, amigos, professores, policiais, transeuntes. Passei a apanhar de conhecidos e desconhecidos – eu fazia o possível para receber pancada – aquilo que para mim era a tradução perfeita para o amor. Cresci assim, buscando essa forma de amor. O tempo passou e mamãe ficou novamente grávida. Passei meses sem receber uma pancada sequer dela. Não recebia uma prova sequer de amor. Perguntava-me: Será que mamãe não me ama mais? Será que ela acha que não amo meu irmãozinho?
Minha mãe deu à luz e meu irmãzinho nasceu lindo e forte. Recebi ambos de braços abertos. Descobri que amava meu irmãozinho assim que o vi, ele era muito parecido com o bebê que eu fora um dia. Mamãe precisava tomar banho e pediu-me que cuidasse do meu irmãozinho. Mamãe andava sentindo dores, devido a cesaria e assim que entrou no banheiro , eu a ouvi chorando. Entendi de imediato o que mamãe precisava e comecei a demonstrar o meu amor por ela. Quanto mais eu batia, mais forte mamãe chorava. Satisfeito, falei à mamãe: “Te amo”. Ela pareceu não entender e perguntou em desespero: “Você não ama sua mãe?”. Precisava mostrar-lhe o quanto a amava e continuei batendo nela por quinze minutos. Mamãe parou de chorar, entendi que bastava de amor, era momento do afago e a coloquei no colo. Mas, porque havia todo aquele sangue? Por que mamãe não mais respirava?
No entanto, tranquilizei-me, afinal mamãe sempre disse: “Terapia de pobre é murro na cabeça”.
Mamãe estava sempre certa.
Muito desejoso, que eu era, do afago, do carinho, do amor, eu passei os anos da minha vida, empenhado em conquistá-lo. Se me faltava o afago, passei a considerar as pancadas, como uma expressão do amor dos meus pais. Decidi que deveria ser amado por todos: parentes, amigos, professores, policiais, transeuntes. Passei a apanhar de conhecidos e desconhecidos – eu fazia o possível para receber pancada – aquilo que para mim era a tradução perfeita para o amor. Cresci assim, buscando essa forma de amor. O tempo passou e mamãe ficou novamente grávida. Passei meses sem receber uma pancada sequer dela. Não recebia uma prova sequer de amor. Perguntava-me: Será que mamãe não me ama mais? Será que ela acha que não amo meu irmãozinho?
Minha mãe deu à luz e meu irmãzinho nasceu lindo e forte. Recebi ambos de braços abertos. Descobri que amava meu irmãozinho assim que o vi, ele era muito parecido com o bebê que eu fora um dia. Mamãe precisava tomar banho e pediu-me que cuidasse do meu irmãozinho. Mamãe andava sentindo dores, devido a cesaria e assim que entrou no banheiro , eu a ouvi chorando. Entendi de imediato o que mamãe precisava e comecei a demonstrar o meu amor por ela. Quanto mais eu batia, mais forte mamãe chorava. Satisfeito, falei à mamãe: “Te amo”. Ela pareceu não entender e perguntou em desespero: “Você não ama sua mãe?”. Precisava mostrar-lhe o quanto a amava e continuei batendo nela por quinze minutos. Mamãe parou de chorar, entendi que bastava de amor, era momento do afago e a coloquei no colo. Mas, porque havia todo aquele sangue? Por que mamãe não mais respirava?
No entanto, tranquilizei-me, afinal mamãe sempre disse: “Terapia de pobre é murro na cabeça”.
Mamãe estava sempre certa.
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CONTO
quarta-feira, 9 de julho de 2008
LINDO DE MORRER
Eram os mais apaixonados dos irmãos. Tinham formas carinhosas de chamar um ao outro, que eram só suas - Essa era uma das coisas que dividiam - A principal era o amor mútuo.
Guardavam, entre si, uma diferença de dois anos de idade e de alguns centímetros de altura. Estranhamente, a mãe os tratava como gêmeos: roupas, sapatos e corte de cabelos idênticos. Era uma duplicidade forçada, já que fisicamente, a diferença era notadamente perceptível: o mais velho era belo e o mais jovem não o era.
Era tarefa do mais velho proteger ao mais jovem da provocação, de que sempre era vítima: o chamavam de feio. Não, que ele fosse dos mais feios, no entanto, a comparação com o seu irmão o transformava numa aberração. O mais velho passou a infância e a adolescência protegendo o mais jovem do mundo e de si. O mais jovem vivia deprimido, por nunca ter sido verdadeiramente aceito. Via até nos olhares e tratamentos dos próprios pais, um "quê" de diferença, como se lhe gritassem: O seu irmão é belo.
E, foi com esse pensamento, que um dia, acordou e não se arrumou para ir à escola. O irmão mais velho, preocupado com o horário, resolveu ir apressá-lo. Ao entrar no quarto, o mais jovem estava com a arma de seu pai no colo e ostentava um olhar perdido, desorientado, porém decidido. E foi com essa expressão, que balbuciou ao seu irmão: "Morrer".
Em desespero, o irmão mais velho, gritou que não fizesse nenhuma besteira, que ele o amava e que se não era belo, era bom, e que isso bastava. Que ele não precisava se matar.
Em resposta, o mais jovem ergue o braço e aponta a arma em direção ao seu irmão e dispara, acertando o alvo desejado, seu rosto. Sua face é destruída.
O estampido ecoou pela casa. Em seguida, ouve-se o grito de uma mãe, em desespero: "Meu filho!".
A mãe, atônita, olha seu filho mais jovem, de arma em punho e pergunta: "Por que matou seu irmão? Como pôde?"
Ele, com naturalidade, respondeu: "Sua beleza me lembrava pena".
Morreu por ser lindo.
Guardavam, entre si, uma diferença de dois anos de idade e de alguns centímetros de altura. Estranhamente, a mãe os tratava como gêmeos: roupas, sapatos e corte de cabelos idênticos. Era uma duplicidade forçada, já que fisicamente, a diferença era notadamente perceptível: o mais velho era belo e o mais jovem não o era.
Era tarefa do mais velho proteger ao mais jovem da provocação, de que sempre era vítima: o chamavam de feio. Não, que ele fosse dos mais feios, no entanto, a comparação com o seu irmão o transformava numa aberração. O mais velho passou a infância e a adolescência protegendo o mais jovem do mundo e de si. O mais jovem vivia deprimido, por nunca ter sido verdadeiramente aceito. Via até nos olhares e tratamentos dos próprios pais, um "quê" de diferença, como se lhe gritassem: O seu irmão é belo.
E, foi com esse pensamento, que um dia, acordou e não se arrumou para ir à escola. O irmão mais velho, preocupado com o horário, resolveu ir apressá-lo. Ao entrar no quarto, o mais jovem estava com a arma de seu pai no colo e ostentava um olhar perdido, desorientado, porém decidido. E foi com essa expressão, que balbuciou ao seu irmão: "Morrer".
Em desespero, o irmão mais velho, gritou que não fizesse nenhuma besteira, que ele o amava e que se não era belo, era bom, e que isso bastava. Que ele não precisava se matar.
Em resposta, o mais jovem ergue o braço e aponta a arma em direção ao seu irmão e dispara, acertando o alvo desejado, seu rosto. Sua face é destruída.
O estampido ecoou pela casa. Em seguida, ouve-se o grito de uma mãe, em desespero: "Meu filho!".
A mãe, atônita, olha seu filho mais jovem, de arma em punho e pergunta: "Por que matou seu irmão? Como pôde?"
Ele, com naturalidade, respondeu: "Sua beleza me lembrava pena".
Morreu por ser lindo.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
QUANDO A CANA-DE-AÇÚCAR ERA DOCE

1988: Domingo à tarde. Quintal de casa. Pés na terra, sol a pino. Na boca ainda mora o gosto do almoço. A mãe sabe que chegou a hora. O fruto (fruto?), está separado em grupos no quintal. A cana fora cortada e extraído da terra, bem próximo a raiz. Mais um pouco e tinha gosto de chão.
Água na boca. Crianças sedentas. Caldo de cana moída no dente. Cana e dente. Sede e vontade.
A cana é cortada em rodelas e novamente cortada em palitos. Açúcar no palito. Melado que escorre no canto da boca.
A mãe sorri, as crianças sorriem.
Domingo doce.
Naquela cidade, naquela rua, naquela casa o domingo é sempre doce.
2008: Acabei de ver pedaços de cana-de-açúcar embaladas a vácuo.
Doce isolado no completo vazio.
s
Imagem retirada do site www.sbea.org.br/
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