Lembro-me das primeiras sensações: quente, molhado, escuro e protegido. Lembro que inesperadamente, tudo mudou. Ficou frio, seco, claro e exposto. Algo estranho me tocou a cabeça. Procurei não gritar. Sentia, que de alguma forma, eu estava em segurança. Que minha mãe ainda estava lá. Saí tímido e calado. Não emiti um som sequer. Fui então pego pelos pés e erguido por aquela mão, a mesma, que me arrancou do meu lar. Senti sua outra mão batendo forte nas minhas nádegas – acabara de tomar minha primeira surra – não compreendi de imediato e apesar de agredido, procurei ser forte. Recebi uma nova palmada – mais potente que a anterior – então chorei. Depois disso fui limpo, enrolado e entregue a minha mãe. Pensei ter entendido a equação: faço birra, apanho, choro e sou afagado. Cresci acreditando nesse mantra – birra, pancada, choro e afago – Meus pais, provaram que a parte da pancada dava sempre certo, era a do afago que nem sempre acontecia. Viviam justificando: “Se não é loiro, bonito e rico, ao menos, você é forte”.
Muito desejoso, que eu era, do afago, do carinho, do amor, eu passei os anos da minha vida, empenhado em conquistá-lo. Se me faltava o afago, passei a considerar as pancadas, como uma expressão do amor dos meus pais. Decidi que deveria ser amado por todos: parentes, amigos, professores, policiais, transeuntes. Passei a apanhar de conhecidos e desconhecidos – eu fazia o possível para receber pancada – aquilo que para mim era a tradução perfeita para o amor. Cresci assim, buscando essa forma de amor. O tempo passou e mamãe ficou novamente grávida. Passei meses sem receber uma pancada sequer dela. Não recebia uma prova sequer de amor. Perguntava-me: Será que mamãe não me ama mais? Será que ela acha que não amo meu irmãozinho?
Minha mãe deu à luz e meu irmãzinho nasceu lindo e forte. Recebi ambos de braços abertos. Descobri que amava meu irmãozinho assim que o vi, ele era muito parecido com o bebê que eu fora um dia. Mamãe precisava tomar banho e pediu-me que cuidasse do meu irmãozinho. Mamãe andava sentindo dores, devido a cesaria e assim que entrou no banheiro , eu a ouvi chorando. Entendi de imediato o que mamãe precisava e comecei a demonstrar o meu amor por ela. Quanto mais eu batia, mais forte mamãe chorava. Satisfeito, falei à mamãe: “Te amo”. Ela pareceu não entender e perguntou em desespero: “Você não ama sua mãe?”. Precisava mostrar-lhe o quanto a amava e continuei batendo nela por quinze minutos. Mamãe parou de chorar, entendi que bastava de amor, era momento do afago e a coloquei no colo. Mas, porque havia todo aquele sangue? Por que mamãe não mais respirava?
No entanto, tranquilizei-me, afinal mamãe sempre disse: “Terapia de pobre é murro na cabeça”.
Mamãe estava sempre certa.
Vamos voltar a falar de blogs?
18 horas atrás


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Caraca! Arrepiante!
Beijos
Adorei seu comentário no meu blog! Sobre amor X político... rs
Bjs
Sério, seus finais de texto são como os finais de meus poemas, sempre morre alguém.
Háha, eu adooro isso.
Ainda mais ainda, devido ao seu talento de transformar amor em violência ;~~
Parabéns. :3
Mais um texto forte. Essa é sua característica. E sempre surpreendente. Meus olhos ainda não estão acostumados mas, estranhamente, eu os acho muito bons. Sempre!
Beijos!
Eu l ontem... mas fkei pensando no q te falar...texto forte,uma mstura de amor com tragedia q m deixa inquieta como a maioria deles mas esse não sei, esse texto é, é...
a melhor palavra: FODASTICOOOOO!!!
" Estranho seria se eu não me apaixonasse por vc"
Mau Camus, porrada faz parte, mas esperto é aquele que em vez de dar a cara, corta o mal pela raiz. Forte abraço.
Impressionante.
Parabéns... de verdade!
è,...a minha mãe dizia algo parecido,...será que elas seguem algum tipo de cartilha? rs rs
Abração
Há, fiz uma segunda parte para meu post sobre humildade, talvez você goste de ler ;~~
kkk
eu comecei a ler
sobre sentir sensacoes e parei
num posso comer nada
q saco
to cum fome
kkk
bjaum
Temos algo em comum: também adoro surpresas!
Escreve mais! Quero ver tu acompanhar meu ritmo alucinante!
Beijos!!!
Nossa,cara,que forte!! E triste!!\
Vc escreve muito bem!!
Abração!!
Uau!
Primeiro, a facinante impressão do nascer. Do "dar" a vida.
Depois, o tirar e de uma forma tão "ignorante".
Bela escrita, bela narração de uma parte de coisas que acontecem na vida cotidiana.
E eu não pude deixar de rir com "“Terapia de pobre é murro na cabeça”."
paz, caro Lord ^^
Nossa que macabro
Adorei! simplesmente divino-Terapia de pobre...é de chorar de rir, posso linkar você?
sabe o q mais gostei?
as frases curtas que vc usa, acho que dão um ritmo bem interessante para a narrativa.
Mal
nós sumimos! hahaha
tem um Meme pra você responder
no meu blogger, se você quiser.
Beijos querido :*
nossa que susto cara ...... teus contos sempre arrepiando !!!!!!
mas como sempre geniais !!!!
Boa tarde!
Escrevo com a alma em minha boca.
O coração quase saindo dela também.
Interesante seu texto. Confesso que me deixou meio que "atemorizado".
Senti realidade em sua subjetividade.
Senti algo presente.
Parabéns. Seus textos são algo que leio e sempre fico "perplexo" - no bom sentido.
Reais.
Parabéns, novamente.
...
Shalom.
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