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Quem nunca ouviu ou usou uma frase em que o sujeito fosse "uns e outros". Usualmente inserido num contexto negativo, pejorativo ou reativo. São frases do tipo: "Uns e outros pensam que eu sou idiota". "Não vou me fuder pra agradar uns e outros". Se uns e outros tivessem feito a parte deles". Que porra é essa de 'uns e outros'? Por favor, não respondam que foi uma bandinha dos anos 80, que fez sucesso com a música 'Carta aos missionários'. Não é desses 'uns e outros' que estou falando. Me refiro ao uso que de certa forma transforma o 'uns e outros' numa entidade, uma legião. Não, na verdade 'uns e outros' é pior que possessão demoníaca. Até o demónio do filme 'O Exorcista' tinha nome. O tal do 'uns e outros' é aquele que não deve ser nomeado. O engraçado é que quando falamos 'uns e outros' somos nós a reforçarmos, validarmos e atestarmos a sentença em que utilizamos o 'uns e outros'. Quando falamos 'uns e outros', somos nós que nos fechamos ao diálogo, ou até ao conflito mesmo. Quando usamos o 'uns e outros', somos covardes, pois, não encaramos diretamente e dizemos: "Você pensa que eu sou idiota?". Quando falamos 'uns e outros' não somos nós. É um outro qualquer que fala, quem fala é aquele ser humano covarde e ardiloso dentro de você. Que é tratado pelos que lhe são intímos como 'uns e outros'. Pondere bem antes de usar 'uns e outros', pois, naquela frase sempre tem um pouco dos 'outros' e um muito de você. Pense nisso.
Engraçado como sabia que o celular tava tocando. Sabia que sempre penso em você? Me manda notícias. O que você tem feito? Tem escrito novas músicas? De que cor está seu cabelo? Como está no novo emprego? Engraçado, não imagino você num escritório. Só consigo te imaginar cantando ou falando ou bebendo com os amigos.Espero que você encontre um homem que cuide de você. Mas, não esquece: Sou seu anjo. Mesmo que nenhum escroto cuide de você, eu cuidarei.Me liga do trabalho de vez em quando. Eles vão entender, não dá pra ficar o dia inteiro em uma sala fechada e não ligar pro seu amor.Sinto falta de conversarmos. Na verdade, sinto falta de te ouvir falar. Até quando você fala e eu não concordo, até quando você fala e eu me perco na conversa, até quando você fala e eu não entendo nada. Você tem ido à praia? Você me lembra o mar e nem sei por quê. Vou parar um minutinho pra olhar o mar e volto com o texto.Voltei.O mar me lembra um monte de coisas e lembra você também. Não sei porque, mas, lembra.Tem feito shows? Tem chorado? Tem sentido minha falta?Você me ligou hoje e gritei de alegria ao telefone. O motivo? Você vai estar comigo. Você disse que precisa estar. Que precisa estar perto de quem ama. Sabe o quanto amei ouvir isso?Sua mãe tem feito shows? Ela continua linda. Linda do jeito dela. Engraçado que ela é linda do seu jeito, Miss baby; E não o inverso. Antes de escrever tava fumando um cigarro e ouvindo música. Não foi a música que me lembrou você, e sim o cigarro. A viagem disso tudo é que você nem fuma. Você tem sorrido bastante? Adquiri o hábito de pedir desculpas somente abrindo os braços em sinal de rendição, do mesmo jeitinho que você faz. Chamo esse jeito de "à la Miss baby".Você tem almoçado direitinho?Larga tudo e vem logo, Miss baby. Temos algo em comum: Vivemos como se o mundo ou nós fossemos acabar a qualquer instante. E nem é medo do fim. É medo do começo mesmo.Hoje vou te abraçar e vai sentir minha saudade. Vamos beber e rir juntos, e no final você irá embora e te deixarei com um pouco de tristeza.Vou te beijar no rosto e te chamar de MINHA Miss baby. Minha.
Observo uma senhora no ônibus. Gasta, muito gasta, é como melhor posso definí-la. Isso se percebe no seu olhar, na maneira desajeitada que se posiciona na cadeira, na forma desesperada que segura sua bolsa. Ela veste calça social preta, sapato social preto e meias brancas. Meias brancas. Por que brancas? As pretas devem estar gastas e ela está muito cansada pra sair e comprar novas meias.
Ela respira com esforço, como se o ar ao seu redor fosse gasto, ou o seu pulmão, ou a sua vontade de respirar já estivesse se desgastado.
Ela ajeita sobre seu nariz um óculos tão gasto, quanto os esmaltes que cobrem suas unhas cavadas, de cutículas gastas pela ação dos alicates amolados e pelo tempo.
Todo o quadro muda o foco, quando outra mulher entra no transporte, o quadro não muda para mim. O foco mudou para a mulher gasta – tem como chamá-la de outra forma? – pois, naquele momento ela não mais olhava em outra direção que não fosse da jovem mulher.
A jovem mulher e seu ‘bom dia’ que a mulher gasta já não pode dar. A jovem mulher e seu jeito delicado de sentar na cadeira, que a mulher gasta já não tem. A jovem mulher e seu charme ao ajeitar o cabelo, que a mulher gasta já não sabe ter. A jovem mulher e a tranqüilidade com que fecha o cinto de segurança, que já não cabe mais na mulher gasta. A jovem mulher e seu perfume, que a mulher gasta gostaria de saber a marca. A jovem mulher e a suavidade com que pega no sono, que a mulher gasta já não tem há anos.
A mulher gasta gostaria de destruir a jovem mulher. Não por ódio, mas, por compaixão. A mulher gasta não quer que a jovem mulher se desgaste. Não quer que ela morra ainda em vida.
Em um horário político medíocre, assistimos pessoas despreparadas, oportunistas, desequilibradas, maus-carateres, estranhas.
Falta de vergonha, propósito ou sentido são uma constante, e que se manifestam das mais variadas formas. Para ser um representante pleno, escolhido por voto popular, exercendo um cargo público, deveria ser exigido dos interessados uma formação específica, na qual ele estudasse matérias que o preparassem para a gestão pública. Matérias como direito tributário, legislação, planejamento, matemática, ética, Lei de Responsabilidades fiscais, entre outras, deveriam ser o lastro sobre o qual se edifica a vontade de “servir” ao povo.
O estudo da história política do Brasil demonstra uma total falta de respeito pela coisa pública, seja por parte dos eleitos, seja por parte dos eleitores. Os eleitores – todos nós – deveriam sair, algumas vezes, da cadeira de vítimas e sentar na de cúmplices. Quando? Quando não lutamos por um país democrático onde não exista obrigatoriedade do voto; Quando não nos informamos sobre a história política daqueles que escolhemos como representantes; Quando, ignorantemente, repetimos: “Ele rouba, mas faz!”; Quando não cobramos, não acompanhamos, não nos posicionamos e ainda assim reclamamos.
Confesso pra vocês que não assisti a propagando eleitoral gratuita. Ouvi muitas pessoas me perguntarem: “Já assistiu a propaganda política?”. Sempre respondi: “Não”. Então ouvia: “É muito engraçado! Você precisa ver.”. Engraçado? Como posso achar engraçado? Você acharia engraçado um tiro de sal na sua genitália? Acharia engraçado se alguém te pedisse pra saltar de um avião sem pára-quedas? Acharia engraçado ter que nadar em um tanque com tubarões famintos? Então, senhor e senhora, eu não posso achar engraçado eleger alguém pra me torturar por 04 anos.
Os puristas dizem: “Tem gente bem intencionada querendo se eleger”. Isso não basta. Na verdade, isso é muito pouco.
Afinal, como diz o ditado popular: “De boas intenções o inferno está cheio”. E a política também.
Adoro cinema. E, foi nesse local que considero mágico, que eu tive o desprazer de ver nascer uma nova modalidade de imbecil. Entramos na sala e as luzes apagaram. Mal o filme começou e percebi um ponto vermelho parado na tela. Imediatamente pensei: Tem algo de errado com a projeção. Não imaginam minha surpresa quando o ponto começou a se movimentar na tela. Nesse momento, eu e outras pessoas na sala percebemos o que estava acontecendo; Naquela sala nascia uma nova modalidade de imbecil, que eu resolvi batizar de Apontador lazer no cinema. Essa aberração nasceu a lazer, totalmente em consonância com os ventos da modernidade: uma besta high tech. Enquanto o filme prosseguia, alguns dos presentes foram perdendo a paciência e passaram a reclamar, xingar e procurar o imbecil em questão; Mas, durante minha vida constatei que idiotas desse tipo, parecem ter uma habilidade incrível para se tornarem invisíveis. Esse não fugia à regra. Acho interessante fazermos uma reflexão: O imbecil é um brasileiro médio. O cinema em que estávamos, tem um custo que para quem não está numa faixa de renda específica, enxergará até como imoral. Essa rápida observação é para registrar que imbecilidade e falta de educação não tem relação alguma com a sua renda. Essa nova modalidade de imbecil está no mesmo nível de outras duas bestas com que eu já havia me deparado: a do que usa o Celular com caixinhas de som (e acredita que todos querem ouvir a mesma música que ele, tocando a todo volume) e a do que tem tesão em soltar bombas (fogos de artifício explosivos) que façam o maior barulho e destruição possíveis. O primeiro nasce como uma variação, de uma tradição de imbecil já bastante difundida, que é a do idiota que coloca o som do carro nas alturas. O indíviduo que faz isso com o celular nada mais é que o primo pobre. Como não tem o carro, apesar de ser tão imbecil quanto aquele que tem, ele se dedica a comprar um celular potente e que reproduza MP3 e busca a melhor forma de maximizar o seu volume. Seja utilizando programas que aumentem o volume nativo do aparelho, seja comprando acessórios como caixinhas de som para potencializar sua imbecilidade. Eis a besta sonora. Já o que tem tesão em soltar bombas, é daquele imbecil que como não cria nada - além do mofo em seu cérebro - decidiu se especializar em destruir. Ele é a besta apocalíptica. É emissário da destruição. Registro: Quanto maior a bomba, maior o imbecil.Indivíduos assim deveriam ser colocados juntos em um lugar isolado, com espadas em punho; Com um contexto igual ao do filme Highlander: Deverão eliminar uns aos outros, separando a cabeça do restante do corpo; No final só poderá haver um.
O sobrevivente perderá seu “poder”, envelhecerá e morrerá. Eis o fim perfeito.
Caro João,
Escrevo-lhe pra me justificar. Infelizmente não pude ir à seu show. Não foi por falta de vontade, tampouco foi por falta de consideração. Acontece que eu trabalho e não poderia dormir numa fila pra comprar o ingresso. Confesso que mesmo que pudesse não o faria. Não é nada de pessoal, mas não tenho por ninguém a quem só conheço pelo trabalho como artista, tamanha consideração. Pedi à uma pessoa amiga que comprasse os ingressos, achei uma pena terem esgotado em 40 minutos após a abertura das bilheterias. Nem passei perto de comprá-los. Não fiquei triste, gosto da bossa nova, até curto muitas das músicas que você canta, mas não sou um dos seus fãs. Sou apenas alguém que também gosta de te ouvir, até quando você desafina no final.
Todos comentavam sobre sua arrogância e grosseira. Muitos diziam: "Se cantarmos ele deixará o palco, nos abandonará". Pois é, João. A vida é engraçada.
Você não deixou o palco, apesar do microfone ruim.
Você não deixou o palco, apesar dos celulares tocando.
Você não deixou o palco, apesar das tosses constantes.
Você não deixou o palco, apesar de um despertador ter disparado.
Alguém me falou certa feita: "Geralmente os defeitos que apontamos nos outros, estamos reconhecendo. São coisas nossas e que percebemos melhor quando são feitas pelos outros."
Pois é João, te chamam de grosso. Use a poesia e responda que isso é nosso: "Isso é coisa do tempo que já se escrevia Bahia com h."
Um abraço, João
Passei a vida sendo questionado sobre minha fé, minha religião, meu credo, minha espiritualidade ou qualquer outra forma que usem, pra nomear o mesmo tema. Essa é daquelas questões em que minha resposta só problematiza a dúvida do outro: Não tenho religião, nunca tive. Afirmado isso surge a próxima pergunta: Se sou ateu. Prefiro cético, mas, não tenho problemas em afirmar que pratico o ateísmo passivo. Aqui, preciso fazer uma observação: A afirmação não é para polemizar, é só um fato. Até acredito que a fé, em dado grau, contribua pra uma melhora no indíviduo. Por quê? Porque o indíviduo assim o desejou. Porque dessa forma ele pode provar que sua expectativa com relação a algo, era válida. Porque ao provar que sua fé em Deus era certa, ele se valida. Até na fé somos egoístas! Não citarei qualquer livro considerado sagrado, de qualquer religião. Nem citarei qualquer trecho, de qualquer passagem, registrada em qualquer um deles para endossar minha afirmação. Não faço o óbvio, sendo assim, não levantarei a mesma discussão que já vi registrada em vários textos em minha vida.Até por não querer provocar uma guerra. Outra verdade: A fé enriqueçe a indústria bélica. Os caras da indústria bélica devem ter orgasmos ao ver uma ato extremista. Pensam: "My preciousss".O que me motivou em escrever esse post foi uma matéria que li, que falava sobre o Padre Marcelo Róssi e afirmava que nenhum artista individual ou grupo nacional vende tantos discos quanto o padre "cantor". Padre Marcelo não é cantor. No entanto, as pessoas acreditam nisso e ele existe como cantor. E, é justamente essa capacidade humana de acreditar no inacreditável que me assusta. Começam acreditando que o Padre Marcelo é cantor, depois da sua morte o promoverão à santo; Nesse ritmo, em coisa de 2000 anos, irão chamá-lo até de Deus-Filho.
Graças a Deus não nasci branco. Imagina você viver numa sociedade em que será discriminado por não ser negro?Ser branco é muito complicado. Imagina saber que seus antepassados, você e seus descendentes serão julgados e condenados eternamente, pela escravidão no Brasil.Imagino o que pensa um branco que vê um negro usando uma camiseta com os dizeres: 100% NEGRO. Ele deve achar estranho saber que será chamado de racista, se usar uma com os dizeres: 100% BRANCO. Até porque, 100%? De onde que saiu esse número?Eu, simplesmente não consigo enxergar esse complexo esquema aristocrata-escravocrata-imperialista, engenhosamente arquitetado, para acabar com toda e qualquer possibilidade – repito: toda e qualquer possibilidade – de ascensão do negro no Brasil. Se existe um esquema, ele é falho e incompetente: Os negros estão ascendendo. Seremos pessoas melhores, quando deixarmos de tratar a questão racial, de acordo com nossa conveniência. Não dá para gritar o orgulho de nossa miscigenação, alarmando que no Brasil não existem brancos, e depois gritar que os negros são perseguidos. Não existem brancos, mas, existem negros? E pardos existem? E amarelos existem? E vermelhos existem?A questão racial é em grande parte cultural; Ela inicia em cada um de nós, se funde com o coletivo e retorna. Quando retorna, cada um de nós dá o peso e medida proporcionais a nossa construção cultural e carga valórica. Portanto, passemos a dar valor àquilo que realmente o tem.Absolvam a melanina, meus caros e minhas caras. Os culpados somos todos nós.